Estudantes de Mongaguá mapeiam resíduos e analisam ecossistema local em saída de campo

Munidos de pranchetas, fichas técnicas e muita curiosidade, os alunos do 6º ano da EMEF Sirana Koukdjian transformaram a praia de Mongaguá em um laboratório a céu aberto. A atividade, realizada na última quarta-feira (10), fez parte da saída de campo investigativa do projeto interdisciplinar “Cultura Oceânica, ODS e Cidadania”, que visou mapear os aspectos físicos, biológicos e os impactos da ação humana no litoral do município.

A ação, desenvolvida pelos professores da EMEF Sirana Koukdjian, contou com o apoio e a presença da equipe da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente e dos coordenadores das áreas de Geografia e Arte da Secretaria de Educação (Seduc), fortalecendo a integração entre conhecimento, território e cidadania.

Metodologia científica na faixa de areia

A turma foi organizada em cinco equipes temáticas, seguindo a estrutura de uma investigação científica escolar. No grupo focado no Ecossistema Praial (Geografia e Ciências), os alunos analisaram o tipo e a cor da areia, as evidências das marés e elaboraram um registro ilustrado da paisagem.

As frentes de Impactos Humanos e Matemática Ambiental (Ciências, Geografia e Matemática) identificaram as intervenções positivas e negativas na praia, além de quantificar os resíduos para a posterior montagem de gráficos.

Já a ocupação social e a memória local foram analisadas pelas equipes de História do Território e Qualidade de Vida (História e Educação Física). Os estudantes observaram o uso atual da praia para o lazer e a saúde, estimaram o fluxo de frequentadores e propuseram uma reflexão sobre as transformações urbanas sofridas pelo espaço nos últimos 50 anos.

Biodiversidade e surpresas botânicas

Além de catalogar achados típicos da fauna da região, como bolachas-do-mar e larvas de cnidários (águas-vivas), os alunos encontraram um pé de tomate crescendo na faixa de areia.

"Foi um achado muito interessante para discutirmos em sala de aula sobre espécies invasoras e como a intervenção humana modifica drasticamente o ambiente natural", destacou o professor de Ciências, Lúcio de Castro.

O diagnóstico do descarte incorreto

Durante o monitoramento, o grupo contabilizou 38 materiais de plástico em geral, 30 bitucas de cigarro, 15 canudos plásticos, 15 tampinhas de garrafa e 9 embalagens de alimentos. A contagem registrou ainda 7 sacolas plásticas, 4 pedaços de madeira, 3 fragmentos de papel e 3 de cerâmica. 

Também foram localizados pelos estudantes 2 latinhas, 2 tampas de metal, 2 pedaços de isopor, além de itens isolados como uma calça, um pedaço de espuma, uma embalagem de vidro e 3 maços de cigarro.

Dos dados para a ação

De volta à sala de aula, o projeto tem continuidade com os grupos utilizando os dados para produzir cartazes e apresentações. O objetivo é destacar os problemas encontrados e propor soluções práticas para a conservação da praia, estimulando o papel ativo dos jovens na comunidade.

 

(Fotos: Prefeitura de Mongaguá/Seduc)